Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Vista do Alto da Serra
Do alto desta verdejante serra,
Com outras serras defronte
Onde posso espraiar o meu olhar,
Sem limite de horizonte,
E como se pássaro fosse
Estendendo as minhas asas,
Vejo lá ao fundo as casas
De granito, da minha Terra,
Que mais parece gigantesca tela
Duma obra Divina e bela
Que pintor algum poderá criar.
E tão bem emoldurada:
Pelo recorte dos montes altaneiros,
Do verde brilhante dos pinheiros,
Do ouro acobreado dos vinhedos,
Do cinzento pálido dos fraguedos.
E sempre animada:
Pelo cansaço das sementeiras,
Pela azáfama das colheitas,
Do burburinho intenso dos “Cafés”,
Do toque altivo dos sinos da Igreja.
Do murmúrio incessante do ribeiro,
E da melodia que fica no ar
Quando a banda passa a tocar.
Como venero o teu chão ó minha Terra
E como me agiganto neste lugar.
São Tomé
Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011
Fenix
Em sólidos rochedos me forjei
Para que as pedras do meu caminho
Não me ferissem.
Com ventos gélidos me tapei
Para que as chuvas de verão
Não toldassem o meu olhar.
No luar de Janeiro me escondi
Para que as sombras do meu pesar
Não arremetessem contra mim.
No solstício de Inverno me quedei
Para que das cinzas reaparecesse
A Fénix que de mim renascesse.
São Tomé
Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Um Dia Voltarei
Um dia, voltarei ao meu sertão,
Quando o Sol iluminar mais uma vez
O manto verde que envolve sua tez
E avivar os matizes do rubro chão.
Para sorver o orvalho de cada flor
Doce néctar saciando a minha sede
Sentir o frescor do cajueiro verde
Quando intensificar mais o calor.
Então espalharei o meu cansaço,
Pela solidão do tempo e espaço,
E no meio a essa magia envolvida
No revoar duma ave de rapina
Que por mim adeja em surdina.
Sentirei que de novo voltei à vida.
São Tomé
Tempestade Passageira
Em nosso horizonte
O céu,
Estava límpido e iluminado
Por um Sol abrasador,
Reflectindo por todo o lado
A chama do nosso amor.
De repente escureceu
E uma tempestade
Sobre nós se abateu
Nuvens negras carregadas
De dúvidas e de mágoas
Descarregaram sua dor
E o ribombar dos trovões
Deixava estarrecidos
Os nossos corações.
Mas foi uma tempestade
Passageira,
Como vento que varre a eira.
As nuvens negras dissiparam-se
O horizonte ficou mais clareado
E o Sol das nossas vidas
Voltou com mais calor
Fortalecendo o nosso amor.
São Tomé
Paz e Quietude
Como é belo o mundo visto assim
Destes montes voltados ao poente,
Onde toda a natureza circundante,
Traz a presença de Deus, junto a mim.
Tudo aquilo que toco e me rodeia,
Pertence ao meu extasiado olhar,
O tempo ocioso que não quer passar
E o vento que meus cabelos despenteia.
Sinto todos os poros a querer dilatar
E um ar puro e fragrante para respirar
Absorvida nesta paz e quietude.
Asas a revoar, evocam a liberdade
De viver abundante felicidade,
Abraçando toda esta magnitude.
São Tomé
Janela do Tempo
Uma janela de vidro
Separa o meu mundo de vós.
Atravesso essa barreira,
Com meu olhar intrigado
Porque vejo do outro lado,
Um mundo do meu diferente
Onde a correr passa gente,
Pisando no chão sem saberem
Que estão girando no espaço.
E correm sem perceberem
Que o tempo nunca espera,
Porque ele não é quimera
Tem leis a estabelecer
Jamais irão entender
Que a vida mora a seu lado
E o tempo será mais contado
Por quem um dia nascer
Sem tanta pressa de viver.
São Tomé
Donos do Mundo
Dentro de mim, coabitam em dualidade
O Silêncio explodindo no trovão,
Que catapultam a voz da minha razão
Aos vastos campos da irracionalidade.
Que caminhos percorrem a humanidade?...
Por este planeta feroz, mas ainda rotundo
Porque não se chega à consensualidade
Que ninguém é o verdadeiro dono do mundo.
São Tomé
Baga de Café
È uma baga vermelha
Bem carnuda e viscosa
Como boca sequiosa
De paixão e de desejo
Se lhe pespegam um beijo,
Exala um mel agridoce
Pegajoso e intragável.
Essa criatura enganosa
Que tanto atrai pela cor
Parecendo ser o que não é.
Mas depois é castigada,
Sua pele é seca e descarnada,
Para ser torrada e triturada
E por fim se transformar
Numa exótica e perfumada
Xícara de café.
São Tomé
As Quatro Estações da Vida
Caiem no tempo as quatro estações
para cada vida que nasce,
como se fossem pregões
a tudo que morre e renasce.
Primavera, Verão Outono e Inverno,
as constantes mutações
para a natureza que sempre se renova.
Primavera,
florida de sonhos e esperanças.
Verão,
calor da paixão, frutos gerados de amor.
Outono,
maturação dos desenganos, das desilusões.
Inverno,
frio intenso nos corpos e corações
e o reflectir daquilo que se viveu,
mais a certeza que tudo passou, tudo morreu,
levando o encanto e as fantasias.
Mas tudo se renovará em esperanças e alegrias,
através do ciclo das Quatro Estações.
São Tomé
Altas Montanhas
Pelas montanhas andam meus olhos,
Seguindo o vento que nuvens varria
E a neve esparsa que ainda persistia,
Cobrindo cumes, livres de abrolhos.
Das altitudes vi o Mundo a meus pés,
Tão belo e frágil aos olhos meus,
Como será visto aos olhos de Deus?...
Talvez reduzido a mar e suas marés.
Ou uma linda bola dum azul terso,
Para enfeitar o altar do Universo,
Que queremos destruir, como cristal.
Talvez o Seu jardim verde e florido,
Agora pela poluição destruído,
Oh Deus! Porque fazemos tanto mal?
São Tomé