Sexta-feira, 16 de Março de 2012
Alma de Poeta

 

 

A Alma de poeta desfralda  

A bandeira da solidariedade

Do Amor e da fraternidade.

Não deixa que o vento a leve

Ou uma simples tempestade

Pois é ela que une a Humanidade.

Mesmo que doutos arautos  

Insensatos e incongruentes

Na sua ambição desmedida

Nos digam que o futuro

Será igual ao que era antes

No ilusório palco da vida.

No redil de tanta artimanha

Jamais a perfeição fará parte

Da frágil natureza humana.

Mas a alma do poeta

Enlevada pela prosa e pelo verso  

Consegue mostrar ao mundo,

A verdadeira beleza do Universo.

 

 

São Tomé                             

 



publicado por São Tomé às 20:38
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Terça-feira, 13 de Março de 2012
Pilar da Ponte de Tédio.

 

            Mote

 

Eu não sou eu nem sou o outro,

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o outro.

(Mário de Sá Carneiro)

 

 

           Glosa

 

Eu não sou eu nem sou o outro

Sou alguém bem mais profundo

Que olha indiferente o mundo

Com a lucidez de um louco.

 

Que ri, que chora, que sente,

Sou qualquer coisa de intermédio

Para o mal não vê remédio,

Não sou Deus, apenas gente.

                                                 

Que neste viver iracundo

Dos doutos, só viu assédio,

Pilar da ponte de tédio

Num cais para o submundo.

 

Não estremeço e tão-pouco

Sinto o globo moribundo

Como errante vagabundo

Que vai de mim para o outro.

 

 

São Tomé

 



publicado por São Tomé às 10:38
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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
Meu Irmão Breve

 

 

Meu irmão, tropel de ternura

Dos alvores da adolescência

Quando a nossa rebeldia

Confundia a irreverência.

 

Meu irmão, na aventura

Dos folguedos azougados

Das secretas incursões

Aos silvedos emaranhados   

Para ver os rouxinóis

Soltarem os seus trinados.

 

Meu irmão, na beira dos rios  

Seguindo o rumor das águas

Pelas reentrâncias das fragas     

Logrando os peixes esguios   

Com engodo como petisco

De minhocas envenenadas

Com raízes de trovisco.

 

Meu irmão, inventado

Nas manhãs de sol dourado

Quando o manto da primavera

Cobria de flores o verde prado.

Do calor sufocante do estio

A exaurir as águas do rio

Deixando na boca alguns medos

E o doce sabor das amoras

Numa comunhão de sangue e dedos.

 

Meu irmão, breve

Nas ledas tardes outonais

Com as cores mágicas do arrebol

A pincelar os matizes da terra

Numa felicidade prazenteira

Como rosa a desabrochar na roseira.   

Lembranças que minha alma encerra!

 

 

São Tomé

 

 

 



publicado por São Tomé às 13:58
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
“ Pássaro Nocturno “

 

 

 

 

É à noite que o meu sonho

Voa mais alto e mais veloz

Que se solta mais no vento

Se orienta nas estrelas

E percorre mais distâncias

Só para ir ao teu encontro.

 

É à noite que o meu coração

Amordaçado então se solta

Se veste de rosas e jasmins

Para perfumar todos os jardins

E esperar pelo teu coração

Que como sempre não volta.

 

 

São Tomé



publicado por São Tomé às 21:52
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
Gaiolas Douradas

 

 

Não me prendas tu,
Em gaiolas douradas,

Nem pretendas
Cortar as minhas asas,
Que só querem alcançar
O mais profundo infinito
E elevar os meus sonhos
Até às longínquas Estrelas.
Deixa eu libertar
Pelo espaço, um estridente grito.
Deixa a minha alma se alimentar
De tudo ou de nada,
Porque sou como o Vento,
Que não conhece morada
E como as ondas do Mar,
Em perpétuo movimento.
Se me quiseres prender de verdade;
Deixa transparecer a tua emoção,
Usa os laços da sinceridade
E prende-me sim ao teu coração.

 

 

São Tomé



publicado por São Tomé às 20:04
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Vista do Alto da Serra

 

 

Do alto desta verdejante serra,

Com outras serras defronte

Onde posso espraiar o meu olhar,

Sem limite de horizonte,

E como se pássaro fosse

Estendendo as minhas asas,

Vejo lá ao fundo as casas

De granito, da minha Terra,

Que mais parece gigantesca tela

Duma obra Divina e bela

Que pintor algum poderá criar.

E tão bem emoldurada:

Pelo recorte dos montes altaneiros,

Do verde brilhante dos pinheiros,

Do ouro acobreado dos vinhedos,

Do cinzento pálido dos fraguedos.

E sempre animada:

Pelo cansaço das sementeiras,

Pela azáfama das colheitas,

Do burburinho intenso dos “Cafés”,

Do toque altivo dos sinos da Igreja.

Do murmúrio incessante do ribeiro,

E da melodia que fica no ar

Quando a banda passa a tocar.

Como venero o teu chão ó minha Terra

E como me agiganto neste lugar.

 

São Tomé



publicado por São Tomé às 21:19
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011
Fenix

 

 

Em sólidos rochedos me forjei

Para que as pedras do meu caminho

Não me ferissem.

 

Com ventos gélidos me tapei

Para que as chuvas de verão

Não toldassem o meu olhar.

 

No luar de Janeiro me escondi

Para que as sombras do meu pesar

Não arremetessem contra mim.

 

No solstício de Inverno me quedei

Para que das cinzas reaparecesse

A Fénix que de mim renascesse.

 

 

São Tomé



publicado por São Tomé às 19:11
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Um Dia Voltarei

 

  
Um dia, voltarei ao meu sertão,
Quando o Sol iluminar mais uma vez
O manto verde que envolve sua tez
E avivar os matizes do rubro chão.
 
Para sorver o orvalho de cada flor
Doce néctar saciando a minha sede
Sentir o frescor do cajueiro verde
Quando intensificar mais o calor.
 
Então espalharei o meu cansaço,
Pela solidão do tempo e espaço,
E no meio a essa magia envolvida
 
No revoar duma ave de rapina
Que por mim adeja em surdina.
Sentirei que de novo voltei à vida.
 
 
São Tomé


publicado por São Tomé às 22:44
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Tempestade Passageira

 

  
Em nosso horizonte
O céu,
Estava límpido e iluminado
Por um Sol abrasador,
Reflectindo por todo o lado
A chama do nosso amor.
De repente escureceu
E uma tempestade
Sobre nós se abateu
Nuvens negras carregadas
De dúvidas e de mágoas
Descarregaram sua dor
E o ribombar dos trovões
Deixava estarrecidos
Os nossos corações.
Mas foi uma tempestade
Passageira,
Como vento que varre a eira.
As nuvens negras dissiparam-se
O horizonte ficou mais clareado
E o Sol das nossas vidas
Voltou com mais calor
Fortalecendo o nosso amor.
 
 
São Tomé


publicado por São Tomé às 22:43
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Paz e Quietude

 

 
 
Como é belo o mundo visto assim
Destes montes voltados ao poente,
Onde toda a natureza circundante,
Traz a presença de Deus, junto a mim.
 
Tudo aquilo que toco e me rodeia,
Pertence ao meu extasiado olhar,
O tempo ocioso que não quer passar
E o vento que meus cabelos despenteia.
 
Sinto todos os poros a querer dilatar
E um ar puro e fragrante para respirar
Absorvida nesta paz e quietude.
 
Asas a revoar, evocam a liberdade
De viver abundante felicidade,
Abraçando toda esta magnitude.
 
 
São Tomé
 


publicado por São Tomé às 22:41
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