Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Um Dia Voltarei
Um dia, voltarei ao meu sertão,
Quando o Sol iluminar mais uma vez
O manto verde que envolve sua tez
E avivar os matizes do rubro chão.
Para sorver o orvalho de cada flor
Doce néctar saciando a minha sede
Sentir o frescor do cajueiro verde
Quando intensificar mais o calor.
Então espalharei o meu cansaço,
Pela solidão do tempo e espaço,
E no meio a essa magia envolvida
No revoar duma ave de rapina
Que por mim adeja em surdina.
Sentirei que de novo voltei à vida.
São Tomé
Tempestade Passageira
Em nosso horizonte
O céu,
Estava límpido e iluminado
Por um Sol abrasador,
Reflectindo por todo o lado
A chama do nosso amor.
De repente escureceu
E uma tempestade
Sobre nós se abateu
Nuvens negras carregadas
De dúvidas e de mágoas
Descarregaram sua dor
E o ribombar dos trovões
Deixava estarrecidos
Os nossos corações.
Mas foi uma tempestade
Passageira,
Como vento que varre a eira.
As nuvens negras dissiparam-se
O horizonte ficou mais clareado
E o Sol das nossas vidas
Voltou com mais calor
Fortalecendo o nosso amor.
São Tomé
Paz e Quietude
Como é belo o mundo visto assim
Destes montes voltados ao poente,
Onde toda a natureza circundante,
Traz a presença de Deus, junto a mim.
Tudo aquilo que toco e me rodeia,
Pertence ao meu extasiado olhar,
O tempo ocioso que não quer passar
E o vento que meus cabelos despenteia.
Sinto todos os poros a querer dilatar
E um ar puro e fragrante para respirar
Absorvida nesta paz e quietude.
Asas a revoar, evocam a liberdade
De viver abundante felicidade,
Abraçando toda esta magnitude.
São Tomé
Janela do Tempo
Uma janela de vidro
Separa o meu mundo de vós.
Atravesso essa barreira,
Com meu olhar intrigado
Porque vejo do outro lado,
Um mundo do meu diferente
Onde a correr passa gente,
Pisando no chão sem saberem
Que estão girando no espaço.
E correm sem perceberem
Que o tempo nunca espera,
Porque ele não é quimera
Tem leis a estabelecer
Jamais irão entender
Que a vida mora a seu lado
E o tempo será mais contado
Por quem um dia nascer
Sem tanta pressa de viver.
São Tomé
Donos do Mundo
Dentro de mim, coabitam em dualidade
O Silêncio explodindo no trovão,
Que catapultam a voz da minha razão
Aos vastos campos da irracionalidade.
Que caminhos percorrem a humanidade?...
Por este planeta feroz, mas ainda rotundo
Porque não se chega à consensualidade
Que ninguém é o verdadeiro dono do mundo.
São Tomé
Baga de Café
È uma baga vermelha
Bem carnuda e viscosa
Como boca sequiosa
De paixão e de desejo
Se lhe pespegam um beijo,
Exala um mel agridoce
Pegajoso e intragável.
Essa criatura enganosa
Que tanto atrai pela cor
Parecendo ser o que não é.
Mas depois é castigada,
Sua pele é seca e descarnada,
Para ser torrada e triturada
E por fim se transformar
Numa exótica e perfumada
Xícara de café.
São Tomé
As Quatro Estações da Vida
Caiem no tempo as quatro estações
para cada vida que nasce,
como se fossem pregões
a tudo que morre e renasce.
Primavera, Verão Outono e Inverno,
as constantes mutações
para a natureza que sempre se renova.
Primavera,
florida de sonhos e esperanças.
Verão,
calor da paixão, frutos gerados de amor.
Outono,
maturação dos desenganos, das desilusões.
Inverno,
frio intenso nos corpos e corações
e o reflectir daquilo que se viveu,
mais a certeza que tudo passou, tudo morreu,
levando o encanto e as fantasias.
Mas tudo se renovará em esperanças e alegrias,
através do ciclo das Quatro Estações.
São Tomé
Altas Montanhas
Pelas montanhas andam meus olhos,
Seguindo o vento que nuvens varria
E a neve esparsa que ainda persistia,
Cobrindo cumes, livres de abrolhos.
Das altitudes vi o Mundo a meus pés,
Tão belo e frágil aos olhos meus,
Como será visto aos olhos de Deus?...
Talvez reduzido a mar e suas marés.
Ou uma linda bola dum azul terso,
Para enfeitar o altar do Universo,
Que queremos destruir, como cristal.
Talvez o Seu jardim verde e florido,
Agora pela poluição destruído,
Oh Deus! Porque fazemos tanto mal?
São Tomé
A Nossa Terra
Minha terra tem belezas
Que noutras terras não há
Encantam quem aqui passa
E que por Divina graça,
Só se encontram mesmo cá.
Os seus laranjais em flor
Alcandorados nas fragas
Como quem namora o rio
Da varanda dum condor,
Abrindo sobre ele as asas
Num constante desafio.
Tem dois rios a seus pés
Que lhe conferem grandeza
Qual deles o mais formoso
O rio Tua e o Douro
Como um valioso tesouro
De luxuriante beleza.
Os socalcos de vinhedos
Guardam eternos segredos
Do seu vinho generoso
No mundo inteiro famoso.
A Banda, já bicentenária,
Criou fama o seu rufar,
E muita gente acredita
Que nesta terra bendita
Que é S. Mamede Ribatua,
Até as pedras da rua…Sabem tocar!
Natal de Hoje
Há muitos céus a fingir
De luzes e cores ofuscantes
Ao arco-íris roubadas
E muito bem embrulhadas
Em papel para presentes.
É Natal!
O mundo rejubilou
E muitos vão festejar.
Outros irão reflectir,
Interrogar-se-hão…
Quanto tempo mais por vir
Quantos clamores soçobrarão,
Até tocarem o humano coração
E um verdadeiro céu se iluminar
Com o brilho omnipresente
Da Estrela da Paz,
Do Amor e da Fraternidade,
A inundar de luz toda a humanidade?
São Tomé